DESINFORMAÇÃO NÃO!

Informação e política sem neoliberalismo.

O individual antes do coletivo?

Posted by Theles on 5th June 2011

Pois bem, aqui estou eu, 6 meses depois, escrevendo. Realmente achei que não teria motivos pra voltar. Mas vejo agora que isto foi ilusão. Acho que por muito tempo ainda haverá o que ser dito e escrito, pelo menos, enquanto os interesses individuais tentarem se sobrepôr aos interesses coletivos, ou da nação.

Muito tenho visto sobre o Sr. Palocci e sobre seu patrimônio ter aumentado 20 vezes, etc., e querem saber, não vejo nada demais nisso. Ele foi Ministro da Fazenda, teve uma excelente atuação no cargo, evitou que a histeria tomasse conta, fez o que devia ser feito. Mas, cometeu erros e por isto saiu, ou foi convidado a sair, do ministério. Entretanto, o que não pode ser negado, é que seu “passe” foi valorizado no mercado, e não não há nada demais nisso, há um certo Ex-Presidente aí que ganha muito dinheiro proferindo palestras gordurosas para quem estiver disposto a pagar. Se até ele ganha uma considerável quantia de dinheiro, pelo fato de ter sido o ex-presidente que por muito pouco mesmo deixou de afundar o Brasil, porque Palocci que executou um importante trabalho com bastante competência deixaria de ter prestígio?

Não estou aqui defendendo o homem, nem dizendo que ele é santo ou demônio. Estou me dispondo a aguardar até que se prove que ele é inocente ou culpado para fazer um juízo de valor. Já temos assassinatos de reputação o suficiente no Brasil e conhecemos quem gosta de executá-los. Não acho coerente ajudá-los desta forma. Entretanto, ao contrário deles, também não acho que nada deva ser abafado, acobertado ou perdoado.

Pelo simples fato de que, o Sr. Palocci tem gasto mais tempo dando explicações sobre ser inocente, do que fazendo seu trabalho no ministério, ele já deveria ter pedido um afastamento do cargo, ou mesmo, ter tido a coerência de perceber que isto tudo está atrapalhando o governo para o qual ele esta servindo, e assim entender que, os seus interesses em ser ministro da Casa Civil da Presidência da República, por mais nobres e dignos que sejam, e não importa o quão inocente ele seja de todas as acusações, não podem nem devem ficar à frente dos interesses da nação. Que ao se permitir ficar nesta posição, obriga o governo a tomar certas atitudes para lhe proteger, por exemplo, na questão do kit anti-homofobia ou do código florestal.

Assim, só me resta pedir. Sr. Antônio Palocci. Tenha um momento de sobriedade e decência e entregue seu cargo antes que o prejuízo seja ainda maior, não para o Sr., mas para o país.

Desinformação Não!

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Muito trabalho pela frente.

Posted by Theles on 17th November 2010

Já se vão 19 dias desde o meu último post. Muito trabalho me impediu de dedicar o tempo necessário para a criação de um novo post. Neste meio tempo, Dilma Rousseff foi eleita presidente, a seleção de volei feminina perdeu o campeonato mundial, a F1 conheceu seu mais jovem campeão, e quase todo o resto permanece igual. Aparentemente continuamos vivendo o clima de eleição, uma espécie de 3º turno, no Brasil.

Creio que o 3º turno começou com os tweets da estudante de direito que pregava, e acho que este é o termo mais apropriado ao clima em que vivemos, que os paulistas naturais, ou arianos como queiram, deveriam fazer de São Paulo um lugar melhor e exterminar um judeu/nortestino afogado ou da forma que melhor lhes conviesse.

Confesso que fiquei meio atônito com isso. Realmente, não esperava que do estado mais “moderno” da federação, viessem tantas manifestações de ódio, especialmente porque este estado foi erguido através do suor e sangue extraído das mãos e almas de tantos imigrantes, e em especial os nordestinos. Pensei muito no que escrever, mas não consegui me expressar melhor do que a Fátima Oliveira em sua coluna no jornal O Tempo, que foi replicada no Viomundo do Azenha.

Realmente, cheguei a achar que após a eleição de Dilma, eu não teria mais motivos para continuar com este blog. Como fui ingênuo, o trabalho está só no início.


DESINFORMAÇÃO NÃO!

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Fátima Oliveira: A xenofobia da pauliceia mina os alicerces da República


por Fátima Oliveira, em O Tempo
Médica – fatimaoliveira@ig.com.br

Adoro batata-doce com leite, que em minha infância a gente só podia comer de vez em quando, tipo uma vez por semana, pois vovó dizia que era uma comida danada de boa, mas faltava só um grau pra veneno. Não entendeu? Nem eu, até hoje! Talvez porque é um daqueles alimentos ditos “fortes”, que dão sustança – que a gente come e se delicia. E, ao terminar, está saciada, sonolenta, meia zen! Juro!

Batata-doce com leite é uma carícia quando a gente está em busca de conforto… Sabe aquela sensação indescritível de querer comer algo que não se sabe o que é? Não é fome propriamente, pois com fome come-se qualquer coisa, como se diz no sertão: “A boca quer coisa boa, mas a barriga quer é ficar cheia”.

Comer batata-doce com leite é dar um “trato” em minha memória alimentar afetiva. É comer e sentir renovar as energias. Desde o dia da twitada xenófoba da acadêmica de direito de Sampa, que incitava matar nordestinos por afogamento, eu sabia que precisava de algo! Só consegui falar sobre o assunto após comer batata-doce com leite! “Puxei pela memória”…

Quando morava em São Paulo, na primeira metade dos anos 1990, uma amiga chegou à minha casa e eu estava comendo batata-doce com leite. Ela indagou o que era aquilo. Depois que respondi, a dita cuja lascou: “Ah, que baianada!”. Não engoli calada e, “olhos nos olhos”, me arretei dizendo-lhe que ela sabia que eu não era baiana e sim maranhense, mas que na Bahia também comiam batata-doce com leite, assim como no Nordeste todo.

Como uma socióloga não percebia que a naturalização e a banalização de vocábulos repletos de nojo e asco, que expressam aversão ao estrangeiro (xenofobia – do grego, “xeno” = estrangeiro + “fobia”=medo), são uma desumanização e desrespeito ao outro? Acrescentei que estava pelo gogó com essa história de que todo nordestino em São Paulo é baiano, termo usado não para indicar quem nasce na Bahia, mas para, depreciativamente, se referir a nordestinos e nortistas: “Essa gente lá de cima (demorei pra entender que se referiam ao mapa do Brasil!), que até coisas estranhas come…”.

Na época recrudescia em São Paulo o nojo a nordestinos, para ferir a prefeita de São Paulo, a paraibana Luiza Erundina, que a elite paulistana jamais engoliu! Ao contrário, perseguiu sem tréguas. Coincidentemente, eu estava às voltas com um xenófobo casal egípcio, radicado em São Paulo há mais de 30 anos, pais de um namorado de uma das minhas filhas, que teve o desplante de ir “tomar satisfações” comigo! Foi uma cena ridiculamente surreal!

O pai chegou arrastado pela sua consorte, que não era nada submissa para afrontar-me. Balbuciava que não era contra o seu “bebê” namorar uma “baiana” (pense no asco!), apenas que eu os respeitasse, não oferecendo carne de porco para ele. E que eu ficasse sabendo que o filho dela se casaria com uma muçulmana. Com baiana, jamais! Disse-lhes que a porta da rua era a serventia da casa e os escorracei!

Entendi ali como a elite paulistana, quatrocentona e xenófoba, consegue impor e perpetuar ideias de superioridade racial (racismo) e a renitente aversão a nordestinos: catequizando até imigrantes de outros países que “essa gente lá de cima” (do mapa) é erva-daninha! Na cidade de São Paulo, que tem suor “dessa gente lá de cima” em cada grão de riqueza, tudo o que alguém faz de errado ou que não presta, para xenófobos nativos caipiras e/ou letrados “sorbonados”, é “baianada”.

Chega, a postura xenófoba dessa gente mina os alicerces da República!

Publicado no Jornal OTEMPO em 16/11/2010

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Preconceito sem limites

Posted by Theles on 29th October 2010

Fico a cada dia que passa, mais impressionado com a ignorância cega do PIG e dos apoiadores do #josecafetao Eles passaram oito anos dizendo as mesmas coisas, e perderam o bonde da história. Ainda acham que o Brasil é o mesmo de 2002, com as mesmas necessidades, com as mesmas deficiências, com os mesmos eleitores.

Exemplifico o que digo com uma citação de uma matéria do Jornalão Estado De Minas(sim, o que empregava mas não pagava ao Amaury):

Bolsa-Família em MG frustra avanço de Serra – http://bit.ly/bssnMi

“… “O maior adversário do Serra no norte de Minas e Vale do Jequitinhonha é o Bolsa-Família”, reforça José Nilson (PDT), prefeito de Padre Carvalho. O prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite, do PMDB, não contesta a tese de que a briga eleitoral na região é um cabo de guerra entre a força política de Aécio e sua capacidade de transferir votos e o Bolsa-Família, que seduz os admiradores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Leite admite que Aécio e Anastasia estão fazendo um trabalho forte e viraram votos, sem, contudo, ameaçar a supremacia de Dilma na região.”

É o típico e real exemplo do pensamento direitista que considera que o único motivo do povão votar no Lula e na Dilma é o programa Bolsa Família, ou “bolsa-esmola” como ilustrado pela diginíssima Mônica Serra.

Eles realmente não conseguem, de seus apartamentos em Higienópolis em São Paulo, ou de Lourdes aqui em Belo Horizonte, enxergar a verdadeira transformação executada por Lula e Dilma através de seus muitos programas. Muito além do Bolsa Família, não conseguem enxergar o programa de apoio à Agricultura Familiar, que é a grande base de todo o norte de minas e nordeste brasileiro, não conseguem enxergar o Luz Para Todos, a transposição do Rio São Francisco, as obras nos portos, as refinarias, o ProUNI, as facilidades e o apoio dado à veículos e a construção civil, e tantos outros programas que foram direta ou indiretamente criados/apoiados pelo governo federal.

Pobres sabujos sustentados pelas verbas publicitárias estaduais. Estão se permitindo silenciar sobre a verdadeira revolução que está acontecendo Brasil afora, e estão selando seus destinos, pois, esta população que navega na internet pelas Lan Houses, muito em breve terá acesso em suas casas e não se submeterá às idiotices que os pseudo formadores de opinião tentam lhes empurrar.

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De Carlos Moura, com carinho, para Noblat

Posted by Theles on 27th October 2010

Publico a carta aberta de Carlos Moura (aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de “O Globo” Ricardo Noblat.

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Noblat

Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?

Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria,  jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Frequentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.

Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.

O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior  rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a  dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.

O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita  (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala” “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.

As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca.  A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas   e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar”  a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia”  do cargo. Ao togado basta o cinismo.

Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História.  E ainda querem que, no final de mandato, o presidente aguente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.

Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Monica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.

A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.

Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia  de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça,  sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado,  a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.

Carlos Torres Moura

Além Paraíba-MG


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O que pensa José Serra?

Posted by Theles on 26th October 2010

Ontem assisti ao maçante debate na Record. Realmente, muito infeliz o horário, porquê não iniciou às 10h ou até antes? Realmente, a Record precisa melhorar muito se quer realmente ser a maior emissora do Brasil. Até agora, acho que o melhor debate foi o da Band. 3 minutos para cada resposta. Assim os candidatos podem concluir seus raciocínios sem que seja necessário completar na tréplica ou mesmo responder em outra pergunta.

Mas, não foi de todo ruim e me elucidou em um fato. José Serra sempre que pode diz que pensa por si só, e que ouve dos demais as suas opiniões, mas toma decisões próprias. Foi assim na questão da segurança, da saúde do petróleo, etc. Mas, o que é que José Serra pensa mesmo? Quais são as suas opiniões? Dilma Rousseff fez por duas vezes a mesma pergunta:

- Durante o governo FHC, do qual o senhor fez parte, foram criados cerca de 5 milhões de empregos, durante o governo Lula, cerca de 15 milhões, o que o senhor fará para evitar o mesmo fiasco na geração do governo FHC o qual o Sr. representa?

O máximo que conseguiu foi ouvir de Serra que, quando foi ministro da saúde criou 1 milhão de empregos, e mesmo assim num tréplica, e assim, ficou sem resposta.

Ninguém consegue obter dele mais do que isso e realmente é de se duvidar que haja mais do que temos visto. O programa de governo em que o candidato se baseia são simplesmente bordões proferidos durante dois discursos, onde os melhores foram retirados, impressos e colocados como programa de governo. Sem dados concretos ou informações sobre obtenção de recursos, nada.

O que vi ontem foi Dilma Rousseff mostrando cada vez mais um profundo conhecimento de causa, e com  explanações cada vez mais contundentes, e José Serra cada vez mais acuado, fugindo sempre das respostas, e trazendo nestas fugas temas do ultra-conservadorismo de direta, como o caso do aborto novamente.

Na minha modesta opinião, José Serra só existe no cenário da política nacional e chega a essa altura do processo eleitoral devido a blindagem da mídia. O que em outros tempos funcionou muito bem, mas com o advento da internet, está cada vez mais fraco e a blindagem já mostra que vai ruir.

DESINFORMAÇÃO NÃO!

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