Como a história tratará o período atual?

Como a história tratará o período atual? Copiado do perfil do Pablo Vilaça no Facebook

(Extraído do livro “História do Brasil – Vol 3, publicado em junho de 2035.)

“(…) resultado apertado, mas que reelegeu Dilma Rousseff com mais de 54 milhões de votos.

Inicia-se aí o período que ficou conhecido como “A Revolta dos Corruptos” e que culminaria num golpe midiático-parlamentar visando a remoção de Rousseff do poder cerca de 18 meses após a eleição.

Um dos personagens principais do processo foi o senador Aécio Neves (o “Playboy de Minas”, como viria a ser lembrado), que, inconformado com a derrota, decidiu imediatamente após o pleito que não permitiria que sua oponente governasse. Amparado por uma oposição que vinha de quatro derrotas consecutivas nas urnas e apoiado por basicamente toda a grande mídia (controlada por apenas cinco famílias), Neves contestou o resultado das urnas, da apuração, pediu recontagem de votos, exigiu que o TSE cassasse a chapa vencedora e, finalmente, mobilizou os colegas do PSDB para que impedissem que Rousseff exercesse de fato o poder. “Quero sangrar o governo até 2018”, declarou o senador Aloysio Nunes, que concorrera como vice de Neves.

Nos 18 meses seguintes, o PSDB se uniu à ala oposicionista do PMDB, liderada pelo deputado Eduardo Cunha (notório por seus conflitos com a Lei), que, eleito presidente da Câmara, promoveu a votação de pautas-bomba para minar a economia brasileira, muitas vezes refazendo votações cujos resultados iniciais haviam lhe desagradado. Questionado por ter contas não declaradas no exterior e denunciado múltiplas vezes por extorsão, Cunha finalmente colocou o processo de “impeachment” no plenário, culminando na votação do dia 17 de abril de 2016, que se tornou conhecido pelos discursos conservadores e preconceituosos dos parlamentares (daí ter sido batizado de “O Dia do Ódio”).

Denunciado pelos movimentos sociais, por escritores (entre eles, Pablo Villaça, que viria a ganhar três vezes o título de “Homem Mais Sexy do Mundo”) e pela imprensa internacional como o golpe parlamentar que era de fato, o processo atingiu outro perigoso patamar em 11 de Maio de 2016, quando Rousseff, jamais acusada de qualquer ato de corrupção, foi afastada por um Senado que tinha cerca de 60% de seus membros com ocorrências judiciais no currículo e que elevou ao poder temporário um vice que havia conspirado contra a presidente e que, considerado ficha-suja, era inelegível na época em que se tornou presidente provisório, contando com apenas 2% de intenções de voto caso se candidatasse (seu nome era Michel Temer ou, como passou para a História, “Temer, o Pequeno”).

Iniciava-se, aí, um período sombrio na História do Brasil, que, depois de apenas 27 anos desde a eleição direta de 1989, deixava mais uma vez de ser uma democracia, anulando na prática os votos de 54 milhões de cidadãos e substituindo-os por uma eleição indireta que conferiu, já de imediato, o rótulo de “ilegítimo” ao “governo” Temer. Foi um período no qual medidas neoliberais derrotadas quatro vezes nas urnas passaram a ser aplicadas amplamente por uma gestão construída sem referendo popular e que minou boa parte das conquistas sociais dos 12 anos anteriores enquanto setores reacionários da sociedade defendiam as ações com uma retórica adolescente caracterizada pelo bordão “Chola mais”.

Os meses seguintes se caracterizaram…(…)”