Dois partidos, duas medidas.

Como chegamos até este ponto, é o que eu me pergunto. Creio que as futuras gerações, saberão responder esta questão. Como é possível que a imprensa de um país, com raríssimas exceções, se torne tão descaradamente partidária, e consiga gerar tanta influência, sem sofrer nenhum tipo de consequência.

Não é de hoje que a imprensa brasileira se manifesta partidariamente, talvez nem esteja em seu pior momento, afinal, a Folha emprestava seus carros para a ditadura, e a Globo surgiu das cinzas da TV Tupi. São numerosos os casos em que, a imprensa brasileira tomou partido e omitiu fatos, ou simplesmente mentiu sobre eles. A cobertura dada pela Globo nas campanhas das Diretas Já, em especial, a cobertura do comício pelo fim da ditadura na Praça da Sé, que foi anunciado pela emissora como comemorações pelo aniversário de São Paulo. Temos ainda, o mais vergonhoso caso de manipulação da TV brasileira, a edição dos melhores momentos do debate presidencial de 1989, feita pelo Jornal Nacional, a qual praticamente decidiu aquela eleição.

A percepção destes fatos por parte da população, fez com que a imprensa tivesse nas três eleições seguintes,um papel, digamos mais moderado. Entretanto, isto mudou completamente em 2006. Naquele ano, as eleições caminhavam para a definição em primeiro turno, favoráveis à reeleição de Lula, até que no dia 29 de Setembro. Neste dia, dois fatos importantes ocorreram: Um jatinho particular fabricado pela Embraer se chocou em pleno voo com boeing da Gol, causando a queda do boeing e a morte das 154 pessoas a bordo, ninguém se feriu no avião da Embraer. Também neste dia, estourou o que foi chamado de escândalo dos Aloprados, onde membros do PT foram presos quando tentavam comprar um dossiê contra José Serra. O Jornal Nacional do dia 29/09/2006, sequer chegou a mencionar a queda do avião, dando amplo destaque à prisão dos membros do PT, com o ápice da reportagem, mostrando uma imensa pilha de dinheiro sobre uma mesa. A divulgação deste escândalo levou as eleições ao segundo turno entre Lula e José Serra.

Mas as manipulações não pararam por aí. Em Abril de 2009, muito antes das eleições, a Folha de São Paulo, publicou em sua capa, uma ficha falsa do DOPS de Dilma Rousseff,grosseiramente adulterada e divulgada na internet, como verdadeira. Em seguida, um breve “erramos” bem escondido, num editorial, foi publicado depois. Mas e o dano causado pela capa? E aqueles que simplesmente não compram o jornal, e que olham as manchetes em bancas diariamente, estes tiveram apenas a versão falsa da notícia, é bem possível portanto, que ainda hoje encontremos pessoas que, considerem aquela versão falsificada, como verdadeira.

Entretanto, para demonstrar o que está acontecendo hoje, quero citar dois fatos, recentes e idênticos, separados por poucos dias apenas, e que tiveram divulgações completamente distintas.

No dia 03/10/2014, a Folha de São Paulo publicou uma envergonhada nota, dando conta que, o radialista Mário Welber, de São José do Rio Preto, havia sido detido no dia 02/10, com R$

Dois partidos, duas medidas.

102 mil reais e mais 16 cheques em branco e assinados por Bruno Covas, então candidato e agora eleito deputado federal. A Folha não diz onde, e em que circunstância ele foi detido. Não há fotos de Bruno Covas, nem de Mário Welber. A Folha se “esqueceu” de mencionar ainda que, Mário Welber é filiado ao PSDB, foi candidato à vereador em 2012 pelo partido, e que é assessor direto de Bruno Covas, o qual é ex-secretário de Alckmin no governo de SP.

Já no dia 08/10/2014, a mesma FSP publicou a notícia, com amplo destaque na edição online e impressa, dando conta de que “Empresário e colaborador do PT em MG são detidos com dinheiro suspeito.” A matéria continua, detalham que o avião é um turboélice de prefixo PR-PEG, que a apreensão foi em Brasília, e que foi a noite. A Folha lembra que o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, “esteve no centro do escândalo no qual foi descoberto um bunker para produção de dossiês contra tucanos, montado pela pré-campanha de Dilma Rousseff” em 2010. Ainda informam que “outro detido no aeroporto é Marcier Trombiere Moreira, ex-assessor do Ministério das Cidades – dominado pelo PP, partido aliado de Dilma.” Mas não para por aí, eles ainda publicaram a foto abaixo, com a seguinte legenda:

O empresário Bené sobe no avião em direção a Brasília na tarde de terça (7), em foto obtida pela Folha

“O empresário Bené sobe no avião em direção a Brasília na tarde de terça (7), em foto obtida pela Folha”

Após discorrer pela notícia/escândalo, a Folha, gentilmente lembra que, “Carregar dinheiro em moeda nacional dentro do país, independentemente do valor, não é crime, mas o portador precisa saber explicar e comprovar a origem dele.”

É importante ressaltar que,  na nota que tratou de Mário Welber, a Folha citou o PSDB apenas uma vez, e apenas ligado à Bruno Covas, sem qualquer ligação com o sujeito detido. Já na nota que tratou do “Bené”, a mesma FSP, citou PT nove vezes, associou o empresário ao partido, envolveu nominalmente a candidata Dilma Rousseff duas vezes, e o governador eleito de MG Fernando Pimentel outras três vezes.

Não restam dúvidas que existe, já há muito tempo, um processo de escandalização de notícias relacionadas ao PT, mas, este processo está ficando cada vez mais forte. Entretanto, quando o assunto é o PSDB, o silêncio é obtido com mão de ferro. Se a situação é essa, estando o PSDB apenas no segundo turno da disputa presidencial, imaginem ocorrerá, estando o PSDB na presidência!

Desinformação Não!