O Medo e o Preconceito vencerão?

13/10/2010 2:40h da manhã. Estou com insônia, provavelmente causada por uma declaração que eu ouvi da minha mãe.

Estava assistindo na internet à trechos do debate eleitoral realizado na BAND no último domingo, quando minha mãe após assistir alguns me disse:

– Eles estão dando murro em ponta de faca.

Quem, perguntei.

– Você acha mesmo que eles vão eleger uma mulher presidente do Brasil? Nem as mulheres votam em mulheres.

Será mesmo? Será que no final das contas tudo será resumido ao medo e ao preconceito tão enraizados na nossa cultura de que as mulheres não são capazes, que são inferiores, que são menos inteligentes, que necessitam de treinamento e não têm capacidade própria de falar e pensar?

Venho de uma família de mulheres muito fortes, e que moldaram minha vida, meus pensamentos e meu caráter. Portanto, foi aterrador ouvir isso de minha mãe. Ela vota em Dilma, mas vê que o pensamento dela não será o das demais.

O que tem me impedido de dormir até agora, é dúvida sobre como fazer para que as pessoas vejam a situação pelo ângulo certo? Como num ambiente tão nebuloso como o que foi criado para esta eleição, fazer as pessoas enxergarem que estamos diante de um marco na história do país? Levantamento feito mostra que nos três principais jornalões do Brasil, de 60% à 73% das manchetes diárias eram negativas ao governo ou à candidatura do governo, enquanto que eram favoráveis de 0% à 7%.

Estamos diante de um candidato vazio de ideias sem qualquer conhecimento real técnico do que irá fazer, que verdadeiramente não têm opinião própria, diz aquilo que o interlocutor quer ouvir e não o que ele quer dizer, e quem tem como base de seu programa de governo bordões apregoados em dois discursos, nenhuma proposta concreta, apenas números vagos. Que se esconde atrás de uma mídia que impersonaliza as imensas falhas de seus governos e torna pessoalíssimos seus ínfimos sucessos. Se o metrô de São Paulo para por horas, inclusive impedindo que os passageiros deixem os vagões fazendo com que várias pessoas passem mal e algumas chegaram a desmaiar, a culpa não é de um sistema mal projetado e em constante estado de esgotamento e caos, é de uma única blusa que impediu o fechamento de uma porta. Ora, se a porta não estava fechada, como a composição andou então? Onde estão os freios automáticos que impediriam a partida caso as portas estivessem abertas?

Do outro lado, temos uma candidata que mostra ter ideias e voz própria, muito conhecimento do que está sendo feito e do que é necessário fazer, não teme expor ao interlocutor aquilo que têm em mente e confronta-o com suas ideias, com um programa de governo definido e publicado com metas e obras pré-estabelecidas. Tem em sua frente a mesma mídia, mas que a trata-a de forma inversa, caluniando-a inclusive como no caso da ficha falsa publicada como verdadeira, tornam impessoais os sucessos alcançados por ela e pelo governo que ela representa, como por exemplo o pré-sal e a expansão econômica no Brasil, e torna personalíssimos os erros dela e de outros, como foi no caso Erenice, onde lhe imputam grande parte da culpa pelos erros e desvios de conduta de outros.

Estamos diante de um quadro grave, e infelizmente grande parte da população aparentemente não sabe disso, ou pior ainda, sabe, mas acredita que uma mulher não tem capacidade de governar de forma correta e competente o Brasil, e por medo ou preconceito escolherão votar no atraso e vazio que a outra candidatura representa.   É nosso dever e obrigação fazer com que eles vejam isso, antes que seja tarde demais. As consequências serão altas demais para arcarmos.

Desinformação Não!